Você provavelmente também já ouviu alguém comentar que basta comer uma gelatina, uma bala ou uma salsicha para ficar todo empipocado. Não são poucas as pessoas que descrevem ter acordado um vulcão no organismo depois de consumir alimentos com corantes e conservantes. Essas reações são superestimadas, relativiza Renata. E, aliás, elas nem são alergias propriamente ditas. O que caracteriza uma alergia é a participação dos anticorpos contra as proteínas, explica.
Os aditivos químicos não são proteínas e nem sequer são recrutados agentes de defesa no sangue para dar cabo desses elementos estranhos. Até o momento ninguém decifrou como o corpo reage a ingredientes como a tartrazina, o corante amarelo um dos que mais provocam estranhezas do gênero. O que já se sabe é que, assim como no caso das alergias verdadeiras, por vezes são liberadas histaminas, substâncias que originam coceiras e inchaços no rosto. Mas as alergias ou falsas alergias, do ponto vista médico na prática são sempre uma chateação.
Diagnosticar a alergia a um alimento ou a reação adversa a um corante, que seja não é tarefa fácil. Os médicos recorrem ao histórico do paciente e pedem diversos testes de pele. Já por meio de um exame de sangue, podem calcular a quantidade de anticorpos envolvidos. E há mais duas estratégias de que se valem os especialistas antes de bater o martelo: a dieta de restrição e o teste de provocação oral. A primeira consiste em retirar o alimento suspeito do cardápio durante seis semanas. E a segunda, em reintroduzi-lo aos poucos tudo sob supervisão médica. A quantidade de anticorpos não determina obrigatoriamente a intensidade da reação, esclarece Evandro Prado. Isso significa que uma pessoa com níveis baixos de um anticorpo específico não está livre de um quadro mais sério, como um choque anafilático.
Aqueles que são, sem nenhuma sombra de dúvida, alérgicos a um determinado alimento só têm uma saída: evitar o dito-cujo. Isso até que se descubra a cura para a doença. No caso sobretudo das crianças, o controle rigoroso da dieta é imprescindível. Não adianta só retirar o leite, quando é caso de alergia a esse item, mas também os seus derivados, como iogurte e queijo, exemplifica a nutricionista Renata Pinotti, professora da Universidade Metodista de São Paulo. Ler o rótulo dos produtos, acredite, faz a diferença.
Fonte: http://saude.abril.com.br/edicoes/0294/medicina